Minha História na Costura - Gédna. Parte 4

July 9, 2018

      Então, para minha tristeza, em 2008 a loja em que eu fazia aulas fechou. Não consegui achar nada perto de mim o suficiente para continuar frequentando aulas.

      Fiquei em casa costurando sozinha por alguns meses, mas não tinha o mesmo encanto. Adorava aqueles encontros semanais. Precisava voltar. Em 2009 procurei minha professora anterior para saber onde ela andava e ela me informou que estava se preparando para dar aula em outra loja que abriria no Bairro Santa Mônica, no outro lado da cidade. Pra mim, muito longe.

Longe à beça.

Mas não tive dúvida. Convidei minha nova amiga de Patch e lá fomos nós.

 

Essa nova amiga era mãe de um amigo do meu filho na escola e a história merece ser contada aqui.

Eles tinham na época por volta de 11 anos e meninos não prestam muita atenção em suas mães. Ele costumava frequentar nossa casa mas sua mãe nunca entrava. Apenas trocávamos algumas palavras na entrega e ao buscar os meninos.

Um dia ele me viu cortando os tecidos em cima da placa e disse:

- Minha mãe também faz isso. É patchwork né?

Querido Bernardo, me apresentou minha grande amiga de trabalho artesanal.

Nos tornamos inseparáveis desde então. Não há quase nada que façamos que uma não saiba da outra.

Meu filho ao contrário até hoje não se toca de nada. Nunca vi tão desligado.

 

 

Mas ele também tem uma história que merece regist

 

ro.

Em 2015, então com 16 anos ele foi morar nos Estados Unidos para fazer High School na casa de uma senhora. Ao falar com ele pelo Skype observei que o quarto onde ele estava tinha muito tecido e perguntei se ela fazia patchwork. Ele disse que não sabia. Então pedi para ele perguntar.

Alguns dias depois cobrei a informação, no que ele me disse:

-“ Não. Ela não faz patchwork, ela faz quilting”.

Só vendo pra crer tamanha falta de atenção ao que ocorre a sua volta. Voltou pra casa sem um paninho ou agulha pra mim.

Mereço né?

 

A medida em que o tempo foi passando e praticamente já tinha presenteado todos os familiares e amigos com peças feitas por mim, senti necessidade de aprender a quiltar à máquina.

Fiz três cursos de quilt à máquina. Adorei quiltar peças pequenas, mas as grandes, como colchas e mantas era um suplício.

As peças são muito grandes e uma máquina doméstica, mesmo eletrônica, deixa o trabalho pesado e difícil de mover. Minhas costas e braços  doíam e as peças não ficavam como eu gostaria. Acabava fazendo tudo com quilt reto.

Foi quando descobri que minha filha mais velha tinha jeito para a coisa. Vivia a minha volta fuçando, procurando, e de vez em quando se arriscava a cortar alguma coisa. Estragou muitos tecidinhos preciosos.

 

Mas o que incomodava mesmo a família eram os retalhos. Espalhados por toda parte, pareciam dar cria. Isso acontece até hoje, mesmo com todo meu cuidado para que permaneçam arrumadinhos por cor e tamanho, ou mesmo já transformados em quadradinhos de vários tamanhos e em lindas colchas de retalhos (para mim o símbolo maior do patchwork).

 

Às portas da aposentadoria chegou a difícil decisâo.

O que fazer aposentada?

Curso de línguas, voluntariado, academia (que detesto mas preciso), viajar..?

Timha muito medo de ficar em casa e me isolar do mundo pois atualmente as informações chegam de forma acelerada e é preciso se preparar.

Minha família acabou sofrendo junto com minha indecisão.

 

Diante disso tudo, minha filha Maria Luiza, que a pouco tempo tinha se formado em Economia, não decidia o que fazer realmente da vida. Gostava demais das coisas que a mamãe faz, também tem muita habilidade manual (fazia origamis e cupcakes incríveis) e,depois de tanto me ouvir reclamar do peso das peças para quiltar resolveu entrar no seu mundo digital e pesquisar como aliviar a minha tarefa de quiltar e consequentemente das minhas reclamações.

 

E eis que descobriu uma máquina de quiltar DIVINA.

 

 

Quem lida com patchwork e quilt deve saber.

É uma longarm. Uma máquina enorme que permite quiltar uma colcha king size completamente aberta. O tecido fica todo esticadinho, sem uma ruguinha. Cada camada fica posicionada milimetricamente sobre a outra e o braço longo da máquina deixa um espaço enorme para visualizar o que está sendo quiltado.

E o melhor, e o que poucas máquinas fazem, quando acoplada a um computador, dispõe de mais de 5 mil desenhos que podem ser mexidos e adaptados para fazerem quilts lindos e perfeitos.

Diante de tudo isso acabamos nos envolvendo tanto e montando nossa empresa.

PESPONTO QUILTERIA E PATCHWORK.

A princípio foi em nome de minha menina, Maria Luiza se transformou em micro empresaria individual e quiltou 6 das minhas 9 colchas que esperavam por isso havia anos.

Vou ser honesta. Com essa parte digital eu ainda não me entendo bem. Quem mexe na máquina é minha filha, que agora virou minha sócia, pois somos uma empresa maior agora.

Em março de 2016 compramos uma loja já montada de onde vieram, profissionais competentes, tanto professores como funcionárias que já trabalham com isso há muitos anos.

Nossa loja cresceu, pois oferecemos muitos cursos; patchwork, quilt, costura, modelagem, artes aplicadas, trico, crochê, bordado, pintura em madeira e em tecido, tudo regado com muita conversa, alegria e muito bom humor. 

 

 

 Adoro o corte dos tecidos e a escolha dos quilts. E me sobra mais tempo para muito corte, costura e conversas.

Quando vejo meus trabalhos prontos, limpos, lindos, com acabamento perfeito, e alguém comprando e elogiando, vejo pra que eu vim ao mundo e pra que Deus deve ter me criado:

“Para ser feliz costurando”.

 

 

Espero estar cumprindo meu papel no mundo.

Beijos

 

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